Domingo, Fevereiro 5, 2023
Escola

Moçambique: Que soluções para os crónicos desafios no ensino?

Moçambique: Que soluções para os crónicos desafios no ensino?
Moçambique: Que soluções para os crónicos desafios no ensino?

Sociedade civil espera que os erros nos manuais escolares sirvam de alerta. “Há uma necessidade de revisão profunda dos livros que estão aprovados”, diz o Centro de Aprendizagem e Capacitação da Sociedade.

Enquanto o Governo moçambicano espera os resultados da comissão de inquérito criada para investigar os erros no livro de Ciência Sociais do sexto ano – nos próximos 15 dias – académicos e sociedade civil preparam um relatório sobre a situação da educação no país, um documento a ser apresentado na cimeira das Nações Unidas, em setembro deste ano.

Infraestruturas precárias, inconsistências no currículo e insuficiência de professores qualificados são parte dos vários problemas que afetam a qualidade do ensino em Moçambique, afirmam.

O presidente do Movimento Educação para Todos (MEPT), Sarmento Preço, diz haver, no país, um crescente número de crianças com acesso ao ensino. No entanto, estudam em condições precárias. Por isso, afirma, apenas quatro em cada 100 crianças que concluem a terceira classe sabem ler e escrever.

“O rácio professor-aluno é muito elevado. Não é fácil dar aulas à volta de sessenta ou setenta crianças. É um número muito elevado para um único professor. Essas condições todas concorrem para que o professor não tenha um espaço suficiente para dar atenção a cada criança.”

Erros servem de alerta
Os problemas estão também nos manuais. No fim de semana, o Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano teve de pedir desculpas por erros no livro de Ciências Sociais, que, por exemplo, colocava Moçambique fora da região da África Austral.

Para Tassiana Tomé, do Centro de Aprendizagem e Capacitação da Sociedade Civil (CESC), os erros servem de alerta.

“Estes erros, em particular do livro da 6ª classe, indicam que há uma necessidade de revisão profunda dos livros que estão aprovados. Porque isto vai além de uma simples correção de grafia, de uma simples errata. Estamos a falar de conteúdos de ensino que estão deturpados, e isso é grave.”

O professor universitário Francelino Wilson acrescenta, no entanto, que a questão da grafia também é importante. O português usado nos livros difere do português usado em Moçambique.

“Há um debate que não é levantado, que tem que ver com que norma este livro, que circula nas nossas escolas, foi escrito”, refere Wilson. “É um livro que foi escrito com a norma portuguesa, uma norma que fingimos estar a ensinar num país que tem variações e que as pessoas convivem com estas variações do português, e sobre isso ninguém fala. A gente faz passar o livro numa norma, e não é essa norma que é ensinada.”

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